Ferramenta Interativa

A realidade da ATER

Insira seus dados e descubra, em números, o tamanho do desafio da Assistência Técnica e Extensão Rural no Brasil

Foto: ATER no campo

1
Qual é o seu perfil?
Extensionista / Técnico(a)
Agricultor(a) familiar
Gestor(a) público(a)
2
Seu território de atuação
Dados do Censo Agropecuário 2017 (IBGE)
Preenchido automaticamente ao selecionar o município. Pode editar.
Dados da entidade estadual (Emater, Epagri, etc.)

Critério de cobertura: 1 técnico para cada 100 famílias (parâmetro mínimo recomendado em serviços de ATER)

3
Sua rotina de trabalho
20
Média nacional: 20 a 30 visitas/mês por extensionista
100
Referência técnica: até 100 famílias por técnico para ATER
5h
Tempo efetivo em visitas e atendimentos
3h
Relatórios, planejamento, reuniões internas
21
40 min
Famílias por técnico
famílias / técnico

Metodologia e fontes

Ver menos

A ferramenta foi desenvolvida para traduzir, de forma simples e interativa, os principais desafios da ATER no Brasil. A partir de dados estruturais e informações inseridas pelo usuário, a calculadora estima indicadores relacionados à cobertura do atendimento, carga de trabalho dos técnicos, tempo de deslocamento, frequência das visitas e volume potencial de investimento necessário para ampliar os serviços de ATER. Os resultados apresentados têm caráter ilustrativo e analítico, baseados em parâmetros médios e simplificações operacionais. A ferramenta não busca representar com precisão absoluta a realidade local, mas sim traduzir, de forma acessível, as relações entre demanda, capacidade e recursos na ATER. Os diferentes perfis (agricultor, extensionista e gestor) utilizam a mesma base de cálculo, mas apresentam os resultados com narrativas e indicadores adaptados a cada público, facilitando a compreensão e o uso.

Cobertura da ATER e número de estabelecimentos

As estimativas sobre o número de agricultores familiares têm como base o IBGE, a partir do Censo Agropecuário de 2017. Foram considerados os estabelecimentos classificados como de agricultura familiar, utilizados como proxy da demanda por ATER em diferentes recortes territoriais (município, estado, região ou Brasil). Com base nesse total e no número de técnicos disponíveis (informado pelo usuário), a ferramenta calcula a razão "famílias por técnico", indicador que expressa o nível de sobrecarga do sistema.

Número de técnicos de ATER

O número de técnicos é informado manualmente pelo usuário ou estimado com base em dados de entidades estaduais de ATER, como Emater e instituições congêneres, além de referências consolidadas por organizações como a ASBRAER. Esse valor é utilizado como denominador para calcular a capacidade de atendimento. A partir dessa relação, a ferramenta estima quantos técnicos seriam necessários para atender toda a demanda, considerando um parâmetro de cobertura mínimo recomendado (1 técnico para cada 100 famílias), e calcula o déficit de profissionais no território, tanto em termos absolutos quanto percentuais.

Relação técnico por famílias atendidas

A ferramenta adota como referência o parâmetro mínimo recomendado de 1 técnico para cada 100 famílias, conforme diversas diretrizes nacionais de ATER. Com base nisso, calcula-se o número necessário de técnicos dividindo o total de famílias por esse parâmetro. A diferença entre esse valor de referência e o número existente gera o indicador de déficit, em termos absolutos e percentuais. Esse mesmo parâmetro também é utilizado para construir mensagens comparativas e indicadores, como "quantas vezes mais técnicos seriam necessários".

Carga de trabalho e visitas técnicas

As estimativas consideram parâmetros médios de atuação, como o número de visitas mensais realizadas por extensionistas, geralmente entre 20 e 30. A ferramenta permite ajustar esses valores com base na realidade informada pelo usuário, incorporando variáveis como tempo de deslocamento, duração das visitas e número de famílias sob responsabilidade. Com isso, estima a capacidade mensal de atendimento por técnico, calcula quantas famílias podem ser atendidas no ritmo atual e projeta o número de visitas necessárias para cobrir toda a demanda. Quando essa capacidade é inferior à demanda, o sistema estima o esforço adicional necessário, incluindo métricas como visitas por dia e carga horária total necessária.

Frequência de atendimento e tempo de espera

Para o perfil de produtor, com base na relação entre número de famílias e capacidade de visitas, a ferramenta calcula o intervalo médio entre atendimentos por família. Esse indicador é expresso em meses e representa o tempo estimado para que todas as famílias recebam ao menos uma visita no ritmo atual. Esse cálculo considera o total de visitas possíveis por período dividido pelo total de famílias atendidas.

Tempo de deslocamento e uso do tempo

A partir do tempo médio de deslocamento, distância entre propriedades e distribuição da jornada de trabalho (campo vs. escritório), a ferramenta estima quanto do tempo do técnico é efetivamente dedicado ao atendimento direto e quanto é consumido por deslocamentos e atividades administrativas. Esses dados são utilizados para gerar indicadores percentuais e estimativas agregadas, como horas mensais na estrada e impacto sobre a eficiência do serviço.

Distância percorrida

Com base no número de visitas realizadas, distância média entre propriedades e dias trabalhados, a ferramenta estima a distância total percorrida por técnico ao longo do ano. Esse cálculo permite dimensionar custos indiretos, como logística e desgaste da infraestrutura, além de comunicar o esforço operacional envolvido na prestação do serviço.

Estimativas de investimento em ATER

Para o perfil de gestor, a ferramenta utiliza o custo médio por família atendida — com base em referências como chamadas públicas da ANATER para o ano de 2026 — e a meta de famílias a serem atendidas para estimar o volume total de investimento necessário. Esse valor é calculado multiplicando o custo médio pelo número de famílias, podendo ser ajustado conforme região e parâmetros operacionais, como tempo em deslocamento e intensidade do atendimento.

Dados de referência: IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), Censo Agropecuário 2017; ASBRAER (Associação Brasileira das Entidades Estaduais de Assistência Técnica e Extensão Rural); FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura); ANATER (Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural).
Créditos: Rodrigo Montalvão Ferraz e Gabriel Zanlorenssi.